JUNHO 2009

 

CATARINA COSTA CABRAL

 

Inaugura dia 1, às 19h30

Vivi sempre em Lisboa como se aqui fosse o centro do mundo. Sonhei sempre com uma casa grande, onde houvesse salas vazias para fazer montagens com panos e objectos e deixa-los ficar. Sítios que não servem para nada, onde coisas já sem uso se possam acumular.

A vida diária da busca da imagem perfeita para impressão em revista fez com que as imagens feitas para mim, deixassem de acontecer. Passaram-se quase vinte anos até voltar a olhar para o que tinha feito. Aquelas imagens tinham sido captadas por um eu que me parecia ter desaparecido. Procurei reaver o sentido de olhar sem restrições nem objectivos de produto final definido. Através da experimentação da não definição do processo cruzado “registos do princípio do século[1]” distanciei-me do rigor do trabalho editorial para encontrar a liberdade de fazer asneira.

Tudo ocupa espaço, e o aumentar da actividade autoral levou a uma diminuição do trabalho remunerado, o que originou mais tempo livre, logo, mais actividade nas minhas coisas.

A partir de 2007 comecei a explorar as possibilidades fotográficas dos mini-espaços. Farta de sonhar com barracões cheios de tralha velha para construir cenários, foi em cima da mesa que me apercebi de tudo o que tinha ali mesmo à mão.
Ao trabalhar com materiais encontrados na rua ( caixas, bocados de coisas) existe uma sensação de abundância muito distante do trabalho meramente fotográfico que exige uma grande quantidade de meios para que se veja o objecto criado.
Esta instalação/exposição é uma recriação de um fragmento do universo deste trabalho e do seu processo.
Ao mesmo tempo apresenta-se claramente como o encerramento de uma etapa, uma vez que vou sair de Lisboa e viver na Serra, onde a vastidão de espaço disponível e assuntos assim como toda a mudança de vida e ambiente, certamente me levarão para outras deambulações.
Meu pai nunca se convenceu que as minhas casinhas não eram ideias para depois fazer em grande. Talvez tenha razão. Para mim são sonhos, viagens, lembranças, esboços e poemas.
Deleito-me ao observar pequenos movimentos e luz ou as implicações da introdução de materiais/objectos com outras qualidades de reflexão da luz.

Catarina Costa Cabral

Catarina Ribeiro dos Santos da Costa Cabral (Lisboa 1963)

2008   BIENAL MONTIJO
       Participação nas categorias Instalação e Fotografia
       
2008   PROJECT ROOM – INQUÉRITO À VISTA
       Exposição individual Galeria Diferença

2007   PARAHYBA DIGITAL ( Brasil)
       Projecção de 60 imagens

2006/7 Colectiva Landscapes – Galeria Diferença
       2 fotografias e vídeo

2006- A LUZ QUE SEMPRE VI ANTES DO NOME DAS COISAS
      vídeo - fotografia
      exposição individual LAMONEDA

2006- CASA DO CORAÇÃO
      instalação em sala colectiva na Casa Décor 2006
      objectos, fotografias, vídeo

2006- VP WORK IN PROGRESS
      3 apontamentos vídeo à volta do espaço e trabalho de    
      Vítor Pomar – Galeria António Henriques (VISEU)

2004- Participação em expo colectiva no museu de Sacavém

2001- Exposição de 5 fotografias a pb e vídeo no Frágil 
           “le sexe des fleurs” com Christophe Giudici

2003-2005 – BARTOLOMEU COSTA CABRAL
            A Universidade e a Cidade
            Livro arquitectura editado pela Universidade
            da Beira Interior

A partir de  1987/8 trabalhei sempre como free-lancer em   fotografia de interiores e arquitectura.

1984/85       Escola Secundaria de António Arroio
                   
1980/82      ARCo (fotografia e áudio visuais)

 

exposições