Novembro 2008

Inaugura Sábado, dia 1, às 19h00

MAGUEREZ

LISBONNE L'AFRICAINE

PINTURA

 

 

Nascida em França, em 1959, Pascale Maguerez começou a estudar arte no Senegal e na Costa do Marfim, onde passou dez anos,.
De volta a França, concluiu, em 1983, o Curso Superior de Belas-Artes, com distinção.
A sua pintura desenvolve-se entre a cultura clássica francesa e a arte africana.
Maguerez pinta por necessidade existencial: “se não se puder sentir o corpo não se deve pintar”. A sua obra  inscreve-se numa continuidade em que o tema da pintura se submete à urgência da criação emergente de uma necessidade interior

 

Comecei esta série de desenhos a partir de um livro do fotógrafo Hans Silvester, que percorreu o vale de Homo, região que se situa na intersecção das fronteiras etíope, queniana e sudanesa.
Reproduzindo de forma quase fiel as fotografias de Silvester, retomei o gesto inicial dos povos de Homo.
O entusiasmo, a magia das cores, o jogo livre das formas, de fazer, de criar, de transformar as coisas.
Ao chegar a Lisboa, reproduzi nos meu quadros o choque da cor e da luz que aí encontrei.
O enquadramento dos com os motivos florais e abstractos, ausente nas pinturas de Silvester, vem-me directamente dos azulejos que decoram os edifícios de Lisboa.
A escolha de representar exclusivamente rostos negros vem-me da minha infância africana.
Chegada a Lisboa, reencontrei essa África.
Depois de ler o livro de Jean-yves Loude "Lisbonne, dans la ville noire", descobri a história dessas pessoas e quis testemunhar a sua presença e a sua influência, frequentemente ignorada, para não dizer desprezada.
É assim, para mm, uma forma de reabilitação desta gente que é parte integrante da vida lisboeta.

Pascale Maguerez

 

J'ai débuté cette série de portraits à partir d'un livre du photographe Hans Silvester.
Celui-ci a parcouru la vallée d'Homo, région qui se situe à l'intersection des frontières éthiopienne, kenyane et soudanaise.
Reproduisant de façon presque fidèle les photographies de Silvester, j'ai repris le geste initial des peuples de l'Homo.
L'enthousiasme,la magie des couleurs,le jeu libre des formes,de faire,de créer,de transformer les états des choses.
En arrivant à Lisbonne,j'ai reproduit dans mes peintures le choc de la couleur et de la lumière que j'y ai éprouvé.
L'encadrement avec des motifs floraux et abstraits, absent dans les peintures de Silvester me vient directement des azulejos qui ornent les édifices de Lisbonne.
Le choix de représenter exclusivement des visages noirs me vient de mon enfance africaine.
En arrivant à Lisbonne, j'ai retrouvé cette Afrique.Après avoir lu le livre de Jean-yves Loude "Lisbonne, dans la ville noire", j'ai découvert l'histoire de cette population et j'ai voulu témoigner de sa présence et de son influence souvent ignorées,pour ne pas dire méprisées.C'est donc pour moi, une forme de réhabilitation de cette population qui fait partie intégrante de la vie Lisboète.

Pascale Maguerez

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